Os ensinamentos de Oomoto

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Contos do Mundo Espiritual é um livro sagrado que o Mestre Deguchi Onisaburo, cofundador da Oomoto, imbuído do caráter divino do Espírito Mizu, começou a ditar em 1921, quando tinha 50 anos, e que mais tarde foi compilado em formato de livro.
Contos do Mundo Espiritual
(volume 1)
Origem
A 9 de fevereiro (calendário lunar) do ano 31 da Era Meiji (1898), guiado por um mensageiro de Deus, subi ao monte sagrado de Anao, chamado Takakuma-yama, em Tamba[1], e ali pratiquei ascese espiritual durante uma semana. Durante essa ascese assimilei uma síntese das faculdades de ver, ouvir, sentir e fazer sentir, dizer e penetrar com o olhar o destino de cada um. Mas, para desenvolver o ensinamento divino até o estado atual, atravessei, com efeito, muitas dificuldades e vicissitudes de diversas espécies: rebeldia de diretores de outras épocas, retirada de crentes, mal-entendido de autoridades, perseguição por parte de membros de outras religiões, ataque geral de parentes e amigos, injúrias e zombarias de jornais, gazetas, livros, etc. É com dificuldade que dou a conhecer estas coisas, tanto oralmente como por escrito. Apresento, pois, aqui, apenas uma parte da situação nos 24 anos após a fundação da Oomoto, simplesmente evocando as lembranças.
Na casa Ryugu[2] há dois grandes sistemas de Deus claramente distintos, isto é, o sistema do Espírito de Izu e o do Espírito de Mizu. O Espírito de Izu, ou seja, a Fundadora Nao Deguchi, predisse a chegada do reinado de Deus, com admoestações a esse respeito, comunicava as revelações divinas com mil aflições e sofrimentos, batizava as almas humanas com água, esperando assim o renascimento ou a volta de “Cristo”[3]. “João” advertia no meio da multidão, quase 7 anos antes de ela ter-se encontrado com “Cristo” pela primeira vez. O Espírito de Izu, ou seja, a Fundadora, é constituído de corpo feminino e alma masculina, tendo participado pela primeira vez da causa sagrada do Deus de Izu quando tinha 57 anos de idade. Batizou com água a totalidade dos sistemas conspurcados, tanto espirituais como corpóreos do mundo real, durante plenos 20 anos, de lº de janeiro do ano 25 da Era Meiji (lunar) de 1892 até 1º de janeiro do ano 45 da mesma Era (lunar) de 1912, revelando claramente o Plano Divino destinado à transformação do mundo. Na minha opinião, a Grande Guerra da Europa constituiu um resultado parcial do sagrado trabalho do Deus de Izu, e também uma grande advertência para ambos os mundos — o material e o espiritual.
A sagrada tarefa do homem de alma feminina (Onisaburo Deguchi) consiste em batizar com fogo todas as criaturas do mundo, participando da causa santa do Deus de Mizu. No dia 9 de fevereiro do ano 31 da Era Meiji (lunar), 1898, comecei a participar da causa sagrada, e em 9 de fevereiro do ano 7 da Era Taishô (lunar), 1918, quase completei aquela santa causa espiritual que durou 20 anos completos. Mesmo a época atual da doutrina de corpo-acima-da-alma, quando se preocupa com materialismo e ateísmo, penetra-se um pouco no estado de despertar, e dia após dia aumenta o número de pessoas que reconhecem a existência de Deus. Na minha opinião isto nada mais é que o resultado da grande atividade do espírito divino, e algo que não pode ser realizado, absolutamente, pela sabedoria e força humanas.
A mulher de alma viril entrou na sagrada tarefa de João e, desde então, durante 27 anos, ela escreveu com talento revelações divinas e empreendeu a grande reforma de ambos os mundos, o espiritual e o material. Mesmo agora, no mundo espiritual, ela continua a dedicar-se a esse trabalho.
O homem de alma feminina dedica-se à santa tarefa de trinta anos, completando o regime do Deus Miroku e conduzindo o mundo ao caminho do bem, para banhar os povos na graça de Deus. Desde o início de minha tarefa divina, completam-se agora 23 anos, e no entanto os sete anos restantes devem constituir um período dificílimo para o cumprimento de minha incumbência. Nas Revelações Divinas lê-se:
“Deus realizará em 30 anos a destruição e reconstrução de Mitama”.[4]
O trabalho sagrado de trinta anos da mulher de alma masculina estará concluído em 1º de janeiro do ano 11 da Era Taishô (lunar), 1922, e a tarefa sagrada de trinta anos do homem de alma feminina estará terminada em 9 de fevereiro do ano 17 da Era Taishô (lunar), 1928.
Quando meditamos atentamente sobre as palavras “destruição e reconstrução de Mitama”, entendemos que Deus necessita de trinta anos para realizar o batismo com água de ambos os sistemas — o espiritual e o material. Esta é uma causa de Deus, a que deve servir João. Ou seja, é uma revelação de que Deus precisa de trinta anos para a reforma espiritual pelo batismo com água e fogo. E entretanto, com a expressão “trinta anos” Deus desejava mostrar tão-somente um período resumido, e não o definitivo. Conseqüentemente, serão inevitáveis um prolongamento e um encurtamento. Mesmo que o princípio de Reino Divino seja definido e constante, ocorrerá inevitavelmente uma modificação segundo a polidez dos servidores que devem administrar o plano sagrado dos mundos espiritual e material.
Dizem as Revelações Divinas:
“Se houvesse, ainda que em pequeno número, homens que entendessem realmente o coração do Deus Ancestral Original do céu e da terra, a destruição e reconstrução se realizariam em boa ordem. Como, porém, não há ninguém que compreende a verdade do Reino Divino, Eu, o Deus, estou há muito tempo sem sair para a vanguarda do mundo. Então, mudai depressa o vosso coração. Se apenas uma criatura entender, em breve todas as criaturas começarão a entender. Deve haver alguma causa, para que o homem mais importante fique sem entender. Se Eu esperar até que esse entenda por si mesmo, cada vez mais se atrasará a causa de Deus. A mudança do vosso coração deve ser profunda e radical; se fordes dessa espécie de alma que só se convence depois da persuasão de alguém, não podereis, absolutamente, desempenhar a presente tarefa.” Etc.
Sem compreensão acerca do efetivo Plano Divino não se poderá, de modo algum, servir perfeitamente à grande causa de Deus, que jamais aconteceu ou acontecerá. Nas Revelações Divinas encontra-se a expressão “destruição e reconstrução de Mitama”. Ouvi dizer que existem muitas pessoas que compreendem apenas como alma a palavra “Mitama”. A sílaba “Mi” refere-se ao corpo ou matéria, e “tama” à alma, coração, reino divino etc. O universo segue a regra de em todas as coisas ser o espírito o principal, e corpo ou matéria serem subalternos. Quem faz decididamente a reforma do lado corpóreo ou do mundo material, real, é Kunitokotachi-no-Kami, o Deus Ancestral do mundo; quem empreende resolutamente a reforma da esfera psíquica ou do mundo espiritual é Toyokuninushi-no-Kami, ou sua autoridade. Portanto, tudo no universo segue a regra segundo a qual o mundo espiritual é o principal, e o material o subalterno. É a isso que denominam doutrina da alma-acima-do-corpo. À alma constituída de acordo com o sistema de alma-acima-do-corpo chamam Hinomoto no mitama (que considera principal a alma) e a alma caracterizada pelo sistema de corpo-acima-da-alma é chamada Chisiki no mitama (dotada de amor e sabedoria egoísticos). A alma caracterizada pelo sistema de alma-acima-do-corpo refere-se à alma de deuses e homens que pretendem exercer a conduta conforme a lei do céu e da terra; que sempre devotam o seu coração e corpo a favor do público e fazem da conduta abnegada sua verdadeira aspiração, e que demonstram o grande espírito da máxima verdade, do máximo bem, da máxima beleza e da máxima honestidade, servindo à causa divina da salvação do mundo. A doutrina do corpo-acima-da-alma refere-se a deuses e homens não-bons, de coração semelhante ao chacal, que só vivem absortos na caça de proveitos pessoais, não respeitam o Deus do céu e da terra, mas veneram o desejo carnal; que só cuidam de suas vestes, de sua comida e de sua habitação; que se reúnem e se separam por vantagens; cuja conduta é sempre marcada pelo insucesso, e que não sabem ter pena nem cumprir até mesmo uma parte dos deveres, além de persistirem no egoísmo.
O Deus Celestial criou primeiramente dois seres humanos chamados Adaruhiko e Evahime, tornando-os antepassados do corpo humano. Ele deu o fruto do sistema do corpo-acima-da-alma à árvore do sistema da alma-acima-do-corpo.
“Não comerás deste fruto”, ordenou Ele severamente, pondo à prova a natureza deles. Levados pelo desejo carnal, ao final eles desobedeceram a ordem severa, provocando a ira de Deus.
A partir desse momento fez-se no mundo um clima desanimador da doutrina do corpo-acima-da-alma e, por fim, assistiu-se no mundo de deuses e de homens à germinação de elementos de perversão. Ao ouvirem isso, objetar-se-ia:
“Com efeito, Deus deve ser onisciente e onipotente, dotado de sabedoria e virtude perfeitas. Por que, pois, permanece Ele sem abater os germes da doutrina do corpo-acima-da-alma e, ademais, sem transformar os antepassados do corpo humano em seguidores da doutrina da alma-acima-do-corpo? Por que sofre Ele com a reorganização, deixando espontaneamente os antepassados do sistema de corpo-acima-da-alma e criando, ele mesmo, o mundo repleto de miasmas? Nessas circunstâncias não posso deixar de duvidar da existência de Deus e de Sua força.”
Na verdade, um argumento muito hábil e categórico!
Em Deus, porém, não há absolutamente partidarismo nem função que desafie o curso do tempo. Renovar o trabalho de Deus, uma vez iniciado, significa, de fato, desafiar a ordem natural do universo, como se se esforçasse por mudar o ontem em hoje ou fazer voltar a flecha já arremessada. Por conseguinte, o empreendimento foi absolutamente imutável desde o início da criação do céu e da terra até hoje; é exatamente aí que existe a grandiosa autoridade de Deus. Também as mensagens divinas, uma vez lançadas, permanecem totalmente imutáveis. Se acontecesse que Deus alterasse freqüentemente Sua mensagem, romper-se-ia inteiramente a ordem do universo e, por fim, germinaria a arbitrariedade. Um antigo provérbio japonês diz: “O Samurai não muda a sua palavra”. Logo, tanto mais inalterável deve ser a palavra de Deus, o Grande Governador do Universo.
Dizem também as Revelações Divinas:
“Até mesmo Deus permanece impotente contra o curso do tempo. Porém, após longa espera, chega afinal a época em que, mesmo torrado, o grão de soja começará a florir, e Deus, que permanecia em situação de miséria, sairá para a vanguarda do mundo e realizará Suas obras. Portanto, em nenhuma parte do mundo não há nada tão terrível nem tão bom como o curso do tempo.
“Mesmo o Deus do céu e da terra nada pode fazer contra a força do “tempo”.
A partir da separação do céu e da terra já se passaram cerca de 5.670 milhões de anos e, finalmente, aproxima-se a alvorada, quando surgirá o Deus Miroku. Para executar a grande reforma dos três mundos: material, obscuro e divino, e para realizar o Mundo do Pinheiro, o Deus Miroku descerá e erguerá colunas divinas e explicará as quatro verdades Ku, Shû, Metsu e Dô, revelando os ensinamentos corretos Dô, Hô, Rey e Setsu (ética e moderação). O Deus se esforçará por instigar os homens ao bem e por disciplinar os maus; propagará o ensinamento da máxima piedade e amor; revelará a lei divina, sob a qual o mundo será bem governado, e difundirá no universo o governo do bem segundo a vontade de Deus. Eis que se aproxima essa época.
Oh, que tamanha graça é termos nascido num período de transição para esse mundo sagrado sem precedente na história extremamente longa do universo, e podermos servir à causa de Deus! Deus revela:
“Deus é o Espírito Santo que anima tudo, e o homem é o administrador do governo dos mundos espiritual e material.
Ah, com exceção da presente época, quando devemos servir à causa divina do céu e da terra? Ah, tanto mais para as pessoas que nasceram no país em que a alma da palavra convida a felicidade, país que ilumina o céu com a alma da palavra, país em que está de atalaia a alma da palavra, país criado por Deus, e país repleto de virtude divina! Agradeçamos a Deus pela graça sublime e profunda e correspondamos ao coração do Pai Ancestral da terra.
[1] Tamba: antigo nome de distrito, abrangendo a maior parte da atual província de Quioto , e também pequena parte da província de Hyogo.
[2] Casa Ryugu:
[3] João e Cristo: V. n-ron 76.
[4] Mitama: os mundos material e espiritual.
